ELA CHOROU DE NOVO
Ela saiu por aquela porta, prendeu os cabelos com um nó, não queria ser notada, colocou seus óculos escuros antes que alguém pudesse perceber aquelas lágrimas que lhe escorriam pela face.
Ela olhava para dentro de si, enquanto todos corriam para a vida na rua principal do bairro que mora à longos anos.
Ela se questionava quantas vezes conseguiria amar assim. Terá sido a última vez? Realmente é o fim?
Ela sentia uma dor profunda em seu coração, como se o pegassem com as mãos e arrancassem seus pedaços.
Ela sentia um nó na garganta tão dolorido que nem aquelas lágrimas que lhe molhavam o rosto o desfez.
Ela continuou a caminhar pelas ruas.
- Olhou todo o mundo, olhou para si, quanto mais ela caminharia só?
Ela sempre deu o seu melhor, mas hoje era um dia de questões: Quando chegaria sua vez de receber o melhor?
Ela amou tanto que se esqueceu de si, ela se perdeu no amor que sentia e se entregou de tal forma que não se reconhecia.
Ela questionava porque amar tanto?
Ela questionava porque as pessoas não podem amar igual, se dar igual, se entregarem igual, apostarem as mesmas cartas.
Ela caminhava...
Ela tem uma mente que não para, avaliativa, enxerga os detalhes, tem dias que ela preferia não ver, não sentir, não viver, hoje é um desses dias...
Ela pensa em quantas vezes já falou e acredita que é melhor ver, é melhor saber.
Ela não entende porque alguns amam covardemente.
Ela não entende...
Ela queria um abraço, enquanto aquele nó persistia em ficar em sua garganta.
- Mas ele não a abraçou.
Ela esperava por um olá!, quem sabe?
Ela passou muitos dias falando demais, mas ele nunca a viu de verdade. Não ouvia o que falava, não enxugou suas lágrimas.
Ela pensou sempre que o amor era poesia, sonhou em seu coração, mas manteve seus pés no chão enquanto pode.
Ela queria gritar: - Por que você simplesmente não me mandou embora?
Ela se sentiu usada e sozinha. E ele usou todo o poder que tinha sobre seu coração.
Ela mergulhou em sua dor e se esqueceu que todos são humanos.
Ela se esquece quando ama de que cada um dá apenas o que tem.
Ela também é egoísta, mas queria que por uma vez apenas, ele não fosse.
Ela espera quando ama ser correspondida, e ela espera só.
Ela chora nas dificuldades e ele não está do lado.
Não quer? Não pode? Melhor ficar distante, algumas pessoas nunca se disporão a crescer, a dar, nem por si mesmas. Ela não compreende porque ele se esconde.
Ela quis que ele também sentisse as dores dela, quantas vezes ela mergulhou em seu coração e lhe aplacou o sofrimento mesmo em silêncio.
Ele não se comunicava comumente, mas ela o conseguiu ver.
Ela caminha enquanto ele se esconde.
Ela não sabe porquê.
- Agora, ela guarda sua dor e sorri, chegou ao seu destino, ali tem uma amiga que também sofre e chora por um amor que não a alcança como anseia.
Ela esquece o nó, enxuga as lágrimas, retira seus óculos e estende seus braços.
- Quem mais poderia ouvir e consolar tanto assim sem a compreensão do que o outro tem sentido.
Talvez, essa seja a missão dela. Entender as situações que a vida trás.
Talvez, um dia ela receba desse amor que espera, ou receba mais.
Ela se satisfaz por enquanto consolando essa amiga que tanto ama, porque ela sabe que o amanhã sempre pode ser melhor.
Ela pensa em quanto tempo passou esperando por ele, sem (olas!), afinal cada um dá a prioridade ao que lhe tem prioridade.
Ela caminha amando e tentando refazer os pedaços dela e dos que lhe são enviados.
O coração pode sangrar...
O coração pode chorar...
- Do lado de fora ela não se dará esse luxo, afinal, sorrisos consolam aqueles que se sentem sós, abraços aplacam as dores na alma.
Esses, passam por tudo que ela também passa, mas não com tanta visão sobre a realidade. E ela pode amar ainda mais, e ela caminha...

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